Compartilhe esse artigo

Em menos de uma semana, dois adolescentes foram assassinados a tiros, episódios que reacenderam o alerta das forças de segurança.

Antes mesmo do fim de janeiro, Cáceres voltou ao centro do noticiário policial com uma sequência de crimes ligados à atuação de facções criminosas. Em menos de uma semana, dois adolescentes foram assassinados a tiros, episódios que reacenderam o alerta das forças de segurança sobre a escalada da violência associada à disputa pelo controle do tráfico e de territórios na cidade.

O cenário, segundo a Polícia Militar, é reflexo direto de um conflito contínuo entre grupos criminosos organizados. Em entrevista, o tenente-coronel Adão César Rodrigues, comandante do 6º Comando Regional, afirmou que somente em 2025 foram identificados e presos 176 integrantes de facções no município.

De acordo com ele, parte dessas prisões ocorreu antes da execução dos crimes. “Setenta e três foram detidos quando já se preparavam para matar. Nessas ações, conseguimos impedir cerca de 97 homicídios”, explicou. Para o oficial, o número demonstra a atuação preventiva das forças policiais.

Apesar disso, Cáceres encerrou o ano passado com 54 assassinatos, a maioria relacionada diretamente à guerra entre facções. Segundo o comandante, 48 das vítimas tinham vínculo com organizações criminosas. Ele voltou a criticar o que classifica como fragilidade da legislação penal, que, na avaliação da corporação, permite o retorno rápido de criminosos perigosos às ruas.

“Essas pessoas acabam sendo soltas e voltam a matar. Enquanto a lei não endurecer, o ciclo se repete”, declarou.

Dois homicídios em poucos dias

A nova onda de violência começou no dia 14 de janeiro, quando Roney da Silva Barbosa Mendes foi morto a tiros em um campo de futebol no bairro Cavalhada. Ele estava com amigos quando houve uma discussão. Um suspeito se aproximou e efetuou vários disparos.

Cinco dias depois, Murilo Pessoa Teixeira foi executado dentro de casa. A Polícia apurou que o alvo seria outra pessoa e que o adolescente teria sido morto por engano. Após o crime, familiares conseguiram deter um dos envolvidos, que acabou linchado antes da chegada da Polícia Militar. O suspeito foi apreendido.

O segundo participante fugiu, mas acabou localizado horas depois. Houve confronto com a Força Tática, e ele morreu baleado.

O tenente-coronel revelou ainda que o adolescente apreendido é investigado por possível participação também no assassinato de Roney. As duas ocorrências seguem sob investigação da Polícia Civil.

Fonte: Info Verus