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O ministro precisou ser convencido por colegas de que este era o momento ideal para largar o processo. André Mendonça foi sorteado como o novo relator

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão desconfiados de que tenham sido gravados por Dias Toffoli durante uma reunião secreta realizada na Corte na noite da última quinta-feira (12/2). A informação foi inicialmente veiculada pela Folha de S. Paulo e corroborada pelo Metrópoles.

Durante o encontro entre os 10 ministros, que ocorreu na sede do Supremo, a condução de Toffoli no caso do Banco Master foi um dos principais tópicos discutidos. Ao final da reunião, os magistrados divulgaram uma nota onde Toffoli anunciou sua decisão de se afastar da relatoria do caso.

As suspeitas de gravação surgiram após a publicação de reportagens que trouxeram detalhes precisos sobre o que foi discutido na reunião. O Metrópoles tentou contato com a assessoria de imprensa do ministro Toffoli e do STF, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.

Saída de Toffoli da Relatoria

Na mesma noite, Dias Toffoli comunicou sua saída da relatoria do caso Master, decisão que foi tomada após a reunião com os demais ministros para discutir um relatório da Polícia Federal (PF). O documento em questão mencionou mensagens encontradas em dispositivos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que faziam referência a Toffoli.

Embora Toffoli tenha admitido ser sócio de um resort no Paraná, denominado Tayayá, ele negou ter qualquer relação com Vorcaro e sua família. A posição foi oficialmente comunicada em uma nota assinada pelos 10 ministros, destacando que, “considerados os altos interesses institucionais”, a solicitação de Toffoli para se afastar do caso foi acolhida.

Tensão na Reunião sobre a Relatoria

A reunião que culminou na decisão de Toffoli de se afastar do caso Master foi marcada por tensão. Durante quase 3 horas, os 10 ministros debateram a melhor alternativa para o magistrado, após a Polícia Federal ter apresentado um relatório com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, no qual apareciam referências a Toffoli.

Iniciando por volta das 16h40, a reunião na sala da presidência teve como destaque a apresentação do documento da PF por Fachin, que comentou sobre a Arguição de Suspeição nº 244, aberta para investigar o caso. De acordo com a coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, o início foi tenso, com Toffoli relutando em se afastar da relatoria. A defesa do ministro enfatizou sua imparcialidade e a inexistência de amizade com Vorcaro, mas seus colegas insistiram na necessidade de evitar desgastes. Após certa demora, ficou decidido que a saída seria a pedido, resultando na retirada da arguição de suspeição contra ele.

Fonte: Info Verus