O cenário descrito pelos inspetores mistura negligência básica com táticas de violência física extrema contra os detentos.
Da redação
Relatórios de inspeção do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF/TJMT) revelam que o Presídio Ferrugem, em Sinop, tornou-se um cenário de horror institucionalizado em 2025. Documentos enviados à Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) mostram que práticas de tortura, espancamentos e tratamentos cruéis eram denunciados desde junho, mas o Estado só reagiu administrativamente há cerca de 20 dias, após a situação se tornar insustentável.
O cenário descrito pelos inspetores mistura negligência básica com táticas de violência física extrema contra os detentos.
O “Cardápio” da Tortura
- O ‘Latão’ da Morte: Celas nos raios 6 e 7 eram lacradas à noite com placas metálicas, cortando a ventilação e transformando o ambiente em um forno, causando desmaios e crises de pânico.
- Ataques pelas ‘Boquetas’: Câmeras de segurança registraram policiais penais disparando spray de pimenta e balas de borracha pelas aberturas das portas contra presos já rendidos e confinados.
- Cães e Retaliação: Relatos indicam o uso de cães para morder detentos durante procedimentos disciplinares. O mais grave: as agressões pioravam logo após as visitas dos juízes, como forma de castigo por denúncias.
Poder Paralelo e Impunidade
A unidade, que opera com 121% de ocupação (1,6 mil presos para 1,3 mil vagas), é descrita como um local onde as decisões judiciais são ignoradas.
“Agentes declaravam abertamente que não sofreriam punições”, diz o relatório, apontando a existência de um ambiente de intimidação permanente.
Cronologia da Omissão
- Junho/2025: GMF aponta falta de colchões, higiene zero e indícios de agressões. Nada foi feito.
- Outubro/2025: Nova inspeção confirma que tudo continuava igual, com o agravante de ferimentos por munição letal e borracha detectados em exames.
- Novembro/2025: Só após uma inspeção emergencial com o Conselho de Direitos Humanos é que a Sejus instaurou um procedimento interno.
Fonte Info Verus




