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A defesa alegou que delegacia onde suspeitos estão presos não teria estrutura adequada para custódia prolongada

O desembargador Gilberto Giraldelli, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou pedido liminar de habeas corpus apresentado pelos investigados Guilherme Henrique Laureth da Silva e Paulo Felizardo de Sá. A decisão foi proferida durante o plantão judiciário nesta terça-feira (10) e manteve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

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Os dois foram presos durante a Operação Showdown, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso para investigar crimes de jogos de azar, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas supostamente praticados por integrantes da facção Comando Vermelho no estado.

Segundo as investigações, os suspeitos são familiares da faccionada Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angéliquinha”, apontada como liderança do grupo criminoso. Ela é genro e pai da investigada, que está foragida desde 2025 após escapar da penitenciária feminina.

A filha de Angélica, Kauany Beatriz, também foi alvo da operação, mas cumpre prisão domiciliar devido à gestação.

A defesa alegou constrangimento ilegal na manutenção da prisão, afirmando que os investigados permanecem detidos na delegacia da Polícia Civil de Mato Grosso em Alta Floresta, local que não teria estrutura adequada para custódia prolongada de presos. Os advogados também sustentaram que a cadeia pública do município estaria parcialmente interditada por superlotação, o que teria impedido a transferência da dupla ao sistema prisional.

Outro argumento apresentado no pedido diz respeito ao estado de saúde de Paulo Felizardo de Sá, descrito como idoso e portador de doença cardíaca grave. Segundo a defesa, ele já foi submetido a cirurgia de revascularização do miocárdio e depende de uso contínuo de medicamentos.

Ao analisar o caso, o desembargador Gilberto Giraldelli afirmou que a concessão de liminar em habeas corpus exige demonstração clara de ilegalidade ou abuso de poder na decisão que decretou a prisão, o que não ficou evidenciado em análise preliminar.

Segundo a decisão, o juízo de origem apontou elementos que indicam a necessidade da prisão preventiva para garantia da ordem pública, diante de indícios de participação dos investigados em organização criminosa estruturada. Com isso, o habeas corpus seguirá tramitando e será analisado posteriormente por um colegiado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

As investigações da Polícia Civil de Mato Grosso apontam que o grupo familiar teria movimentado mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses, valor considerado incompatível com a renda declarada pelos envolvidos.

Segundo a apuração, o esquema utilizava empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas para dar aparência lícita ao dinheiro obtido de forma ilegal. Os investigados também teriam utilizado plataformas digitais de jogos de azar on-line para justificar ganhos financeiros.

Outro braço do esquema envolveria a exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta. De acordo com a investigação, Paulo Felizardo de Sá seria responsável por administrar um garimpo e um bar com prostíbulo próximo ao município de Nova Bandeirantes.

O local, segundo a polícia, também teria sido utilizado como base para extorsões contra garimpeiros e para a prática de tráfico de drogas. O ouro extraído poderia ser utilizado para ocultar e reinserir recursos ilícitos no mercado formal, dificultando o rastreamento financeiro.

As investigações também apontam que familiares da liderança criminosa ostentavam vida de alto padrão, com aquisição de imóveis, carros de luxo e viagens internacionais, frequentemente exibidos em redes sociais.

Fonte: Info Verus