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A obra só saiu do papel após a atual gestão firmar um contrato definitivo de fornecimento com a Bolívia.

Depois de mais de 30 anos de promessas e projetos engavetados, a indústria de Cuiabá finalmente passou a contar com uma fonte de energia contínua, limpa e competitiva. Em operação desde julho de 2025, o gasoduto do Distrito Industrial marca uma virada histórica na política de industrialização de Mato Grosso e reposiciona o Estado no mapa da atração de investimentos produtivos.

Com 39 quilômetros de extensão e R$ 40 milhões em investimentos do Governo do Estado, a estrutura garante fornecimento estável de gás natural encanado, encerrando décadas de dependência de fontes mais caras e instáveis. A obra só saiu do papel após a atual gestão firmar um contrato definitivo de fornecimento com a Bolívia, rompendo com o antigo modelo de contratos interrompíveis, que afastava empresas e inviabilizava planejamento de longo prazo.

A mudança já transformou a rotina das indústrias conectadas à rede. A substituição do GLP e do cavaco de madeira pelo gás natural reduziu custos operacionais, eliminou riscos logísticos e elevou a eficiência dos processos produtivos, além de diminuir impactos ambientais.

Sócio-proprietário da Milanflex, o empresário Gilmar Milani afirma que a nova matriz energética trouxe previsibilidade e ganhos imediatos para a produção.

“Antes enfrentávamos interrupções por questões políticas e geopolíticas, o que nos obrigava a retornar ao GLP. Hoje, com o fornecimento da MT Gás, temos menor custo, mais segurança, menos espaço para estocagem e pressão constante, o que melhora o desempenho dos equipamentos e reduz riscos de vazamentos”, relatou.

Para o presidente da MT Gás, Aécio Rodrigues, o gasoduto representa uma ruptura estrutural no acesso à energia industrial em Mato Grosso.

“É uma infraestrutura capaz de atender todo o Distrito Industrial. A redução de poluentes chega a até 80%, com economia média de 30%. Trata-se de uma matriz segura, contínua e sem oscilações, que dá estabilidade à produção e cria um ambiente atrativo para novos investimentos”, destacou.

Atualmente, a MT Gás possui nove contratos firmados, sendo quatro em operação, três com sistemas de medição já instalados e dois aguardando equipamentos. A capacidade do sistema permite atender até 260 empresas, com distribuição diária de até 186 mil metros cúbicos de gás natural, ampliando de forma significativa o potencial de expansão industrial da capital.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, avalia que o projeto vai além da obra física e simboliza uma decisão estratégica de governo.

“O diferencial não é apenas o gasoduto, mas o contrato firme com a Bolívia, algo inédito. Antes, ninguém investia por insegurança. Hoje, o fornecimento é cumprido, o sistema funciona e o ambiente de negócios mudou. Isso aumenta a competitividade das empresas e atrai novas indústrias para Mato Grosso”, afirmou.

Fonte: Info Verus