Após a publicação da reportagem, nesta sexta-feira (9), Leo Dias divulgou nota pública informando que iniciou o processo de desligamento de Thiago Miranda no fim do ano passado.
Um dos envolvidos no esquema de pagamento a influenciadores para a publicação de conteúdos com ataques ao Banco Central é administrador de empresas ligadas ao jornalista de celebridades Leo Dias. Desde dezembro do ano passado, perfis de fofoca e criadores de conteúdo passaram a receber propostas para levantar suspeitas sobre a decisão da autoridade monetária de liquidar o Banco Master, pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Mensagens obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que André Silva Salvador abordou influenciadores afirmando atuar na “gestão de crise” de um executivo do mercado financeiro e buscando contratar “serviços de divulgação”. Nas conversas, Salvador diz ter parceria com Thiago Miranda, apresentado como “sócio do grupo Leo Dias”.
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Após a publicação da reportagem, nesta sexta-feira (9), Leo Dias divulgou nota pública informando que iniciou o processo de desligamento de Thiago Miranda no fim do ano passado e negou qualquer participação na contratação de influenciadores.
“Thiago Miranda atuou como CEO do Grupo Leo Dias, cargo do qual se desligou em junho de 2025, não mantendo, desde então, qualquer função de gestão, decisão ou representação em nome da empresa”, afirmou o jornalista.
Miranda é proprietário da agência de publicidade Mithi e figura como administrador de duas empresas pertencentes ao jornalista: Leo Dias Comunicação e Jornalismo Ltda e Leo Dias Comunicação e Jornalismo Ltda SCP VTG. Registros da Junta Comercial de São Paulo indicam que ele chegou a figurar como sócio da primeira empresa em outubro do ano passado.
Segundo Leo Dias, o processo de transferência da participação minoritária de Miranda ainda não foi concluído. “Em razão dos acontecimentos recentes, o Grupo Leo Dias informa que todas as providências cabíveis estão sendo adotadas para a conclusão definitiva dessa transferência”, diz a nota.
Apesar de o nome de Leo Dias ser citado nas mensagens, o contrato para pagamento dos influenciadores foi feito por uma empresa do próprio Salvador, a UNLTD. Conforme revelou o Estadão, o acordo previa cláusula de confidencialidade referente ao “projeto DV” (iniciais de Daniel Vorcaro), cuja violação poderia gerar multa de até R$ 800 mil. A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, informou que os valores pagos a influenciadores poderiam chegar a R$ 2 milhões, conforme o alcance dos perfis.
A empresa por trás dos pagamentos
A UNLTD, sediada em um prédio comercial em Águas Claras (DF), possui capital social de apenas R$ 5 mil e é classificada como empresa de pequeno porte. Foi por meio dela que teriam sido feitos os pagamentos pelas publicações críticas ao Banco Central. Salvador também possui participação em outras duas empresas sediadas em Pelotas (RS), onde reside.
O vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) afirmou ter sido procurado para participar da campanha, mas recusou a proposta.
Salvador também tentou contato com o deputado estadual de São Paulo Leonardo Siqueira (Novo), dizendo atuar na gestão de crise de um executivo financeiro, sem revelar o nome. Segundo o parlamentar, o nome só seria informado após assinatura de termo de confidencialidade, mas a conversa não avançou.
Na virada do ano, multiplicaram-se vídeos e publicações repercutindo despacho do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que questionou a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master. O BC alegou que a instituição não tinha condições de honrar compromissos financeiros e apontou indícios de irregularidades.
O ministro determinou inicialmente a atuação de auditores do TCU para revisar o processo, o que gerou críticas de juristas e agentes do mercado, que apontaram interferência indevida na atuação do Banco Central. Na quinta-feira (8), Jhonatan recuou e encaminhou o caso ao plenário do TCU, que retorna do recesso no dia 16 de janeiro.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo investigação contra o ministro por abuso de autoridade e interferência indevida. Os influenciadores contratados utilizaram a decisão para levantar suspeitas sobre a liquidação do banco e insinuar possíveis irregularidades por parte do BC.
Fonte: Info Verus
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