A Quarta Câmara Criminal rejeitou, por unanimidade, o pedido da defesa para revogar a proibição de frequentar eventos do segmento e o bloqueio de contas bancárias do acusado.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso decidiu manter as medidas cautelares impostas ao produtor artístico Alexandre Monteiro Piva, investigado por uma série de fraudes no setor da moda. A Quarta Câmara Criminal rejeitou, por unanimidade, o pedido da defesa para revogar a proibição de frequentar eventos do segmento e o bloqueio de contas bancárias do acusado.
A decisão seguiu o voto do desembargador Juvenal Pereira da Silva, relator do habeas corpus apresentado por Piva, julgado em sessão realizada no dia 25 de novembro de 2025. A defesa sustentou que as restrições, aplicadas em maio de 2024, estariam em vigor há mais de 17 meses sem o oferecimento de denúncia formal, caracterizando excesso de prazo.
Segundo os advogados, a demora no andamento do caso seria resultado de inércia do Estado, especialmente da autoridade policial, que não teria cumprido diligências consideradas básicas para a conclusão das investigações. O argumento, contudo, não foi acolhido pelo colegiado.
Ao analisar o pedido, o relator destacou que há indícios de que os supostos golpes atribuídos a Alexandre Piva ultrapassam os limites de Mato Grosso, com registros de vítimas também nos estados de São Paulo e Goiás. Diante desse contexto, o magistrado entendeu ser necessária a manutenção do afastamento do investigado do ambiente profissional ligado à moda.
Embora a decisão não tenha detalhado novas apurações em curso, os autos apontam que Piva é alvo de múltiplas investigações. Entre elas, a acusação de ter causado prejuízo de aproximadamente R$ 249 mil a uma influenciadora digital de Mato Grosso, a quem teria prometido participação em desfiles nacionais e internacionais, além de suposta publicação em uma edição da revista Vogue, nos Estados Unidos.
De acordo com o inquérito, o contato com a influenciadora ocorreu em outubro de 2023, por meio das redes sociais, quando Alexandre Piva se apresentou sob o pseudônimo de “Alê Monteiro”. Ele teria afirmado manter vínculos com revistas e empresas renomadas do mercado da moda, oferecendo ensaios fotográficos, divulgação em veículos especializados e participação em eventos internacionais.
Em um dos episódios relatados, o produtor prometeu um ensaio com joias e a inclusão da influenciadora em um evento de moda em Paris. No entanto, no dia marcado para as fotos, ele teria comparecido sem os acessórios prometidos, demonstrado irritação diante de questionamentos e, posteriormente, interrompido o contato com a vítima.
As investigações também citam episódios anteriores envolvendo Alexandre Piva. Em São Paulo, ele é acusado de sequestrar e torturar um produtor de moda em 2015, além de ameaçá-lo com a divulgação de um vídeo íntimo. Já em 2014, teria se passado pela apresentadora Fernanda Lima para obter joias emprestadas de uma loja de luxo na Vila Olímpia, que acabaram sendo penhoradas para obtenção de dinheiro.
Ainda conforme apurado, Piva também teria praticado extorsões contra empresários e donos de agências de modelos, simulando encontros com homens de alto poder aquisitivo e oferecendo modelos de forma fraudulenta. Ele é apontado, inclusive, como um dos responsáveis por um perfil em rede social que realizava denúncias contra práticas irregulares no mercado de agenciamento.
Fonte: Info Verus
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