Kakay denuncia influência de escritórios ligados a parentes de ministros e expõe distorções na advocacia em Brasília
O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, fez duras críticas à atuação de escritórios de advocacia ligados a parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apontando a prática como um dos principais fatores de desequilíbrio na advocacia em Brasília. Segundo ele, a influência dessas bancas cria um ambiente de concorrência desigual nas cortes superiores.
As declarações foram dadas em entrevista à TV GGN, transmitida ao vivo em 26 de dezembro de 2025, durante conversa com o jornalista Luís Nassif. Com mais de quatro décadas de atuação no STF, Kakay afirmou que o problema é conhecido há muitos anos no meio jurídico, mas raramente enfrentado de forma direta.
O advogado relembrou que, ainda no início de sua carreira, já se falava sobre a força de escritórios comandados por familiares de ministros, situação que, segundo ele, sempre gerou desconforto entre profissionais que atuam de forma independente. Para Kakay, a agressividade comercial dessas bancas e o capital simbólico associado aos sobrenomes acabam afastando clientes e distorcendo a livre concorrência.
Após a repercussão da entrevista, Kakay afirmou que não se referia a nenhum caso específico ou recente. Durante a conversa, não houve menção direta ao episódio envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
O escritório mantém contrato com o Banco Master, prevendo honorários de R$ 3,6 milhões mensais por 36 meses. A instituição financeira foi posteriormente liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central, e seu fundador, Daniel Vorcaro, é investigado em inquérito que tramita no STF. Alexandre de Moraes nega qualquer atuação em favor do banco e afirma que o escritório de sua esposa não participou de negociações envolvendo a tentativa de venda da instituição ao BRB.
As informações sobre o contrato foram reveladas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. O acordo não foi divulgado integralmente, e não há dados públicos detalhados sobre os serviços prestados ou valores efetivamente pagos. Até o momento, os envolvidos não contestaram as informações publicadas.
Na mesma entrevista, Kakay também avaliou a proposta de criação de um Código de Ética para o STF, defendida recentemente pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Para o criminalista, embora o tema deva ser debatido internamente pelos próprios ministros, o momento escolhido é inadequado.
Segundo ele, a iniciativa pode transmitir à sociedade a impressão de que o Supremo reage a pressões pontuais da imprensa, o que, em sua visão, fragiliza a instituição. Kakay afirmou que o STF segue sendo a principal garantia democrática do país e que debates mal contextualizados podem gerar desgaste desnecessário à imagem da Corte.
Fonte: Diário da Capital
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