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Obra atribuída a João Adibe é alvo de ação civil, denúncias de irregularidades urbanísticas, danos a imóvel vizinho e descumprimento de embargos, segundo decisão judicial

A construção de uma mansão de alto luxo no Jardim Paulista, um dos bairros mais valorizados de São Paulo, levou a Justiça a determinar a paralisação imediata das obras após ação movida pela Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins). O imóvel pertence ao empresário João Adibe, presidente da farmacêutica Cimed e listado pela revista Forbes como o 86º homem mais rico do Brasil, com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões.

A decisão foi proferida neste mês pela juíza Mariana Medeiros Lenz, da 9ª Vara da Fazenda Pública, que apontou indícios de desvirtuamento do alvará original, descumprimento de normas de tombamento e continuidade das intervenções mesmo após ordens administrativas de embargo emitidas pelo Condephaat e pela Subprefeitura de Pinheiros.

Segundo a ação, a obra foi aprovada como reforma, mas resultou na demolição quase total do casarão original, com preservação apenas da fachada. A associação sustenta que o projeto extrapolou limites de altura, violou recuos obrigatórios, suprimiu vegetação protegida e comprometeu a permeabilidade do solo, além de causar impactos diretos a imóveis vizinhos.

Um dos vizinhos citados é o banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial. Laudo técnico anexado ao processo aponta trincas, fissuras e prejuízos estruturais em sua residência, supostamente provocados por demolições, terraplenagem pesada e uso de maquinário de grande porte durante as obras.

A juíza destacou o risco de dano irreversível ao patrimônio urbanístico e ambiental tombado e determinou, além da paralisação imediata, multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 5 milhões. Também autorizou vistoria completa do Condephaat no imóvel, proibiu a emissão de “Habite-se” e ordenou a averbação da ação na matrícula do bem.

A polêmica ganhou repercussão adicional após vídeos publicados pela influenciadora Cinthya Marques, esposa de Adibe, mostrando a movimentação da obra durante o período de embargo e detalhes da residência de luxo, o que foi classificado como “deboche” pelo vizinho em petição ao órgão de patrimônio.

Em nota, a defesa de João Adibe afirma que a construção foi autorizada por todos os órgãos competentes, que a obra está concluída há meses e que o imóvel possui Habite-se, com a família já residindo no local. Os advogados também alegam que laudo pericial judicial anterior afastou qualquer responsabilidade do empresário pelos danos relatados pelos vizinhos, atribuindo os problemas à má conservação dos imóveis afetados.

Fonte: Metrópoles