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Pedido foi protocolado nesta quarta-feira (18); caso envolve acusações de violência psicológica e ataques em grupos de WhatsApp

O Ministério Público Estadual (MPE) pediu a prisão do presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Meio do Poder Executivo (Sinpaig), Antônio Wagner, por supostos crimes de ameaça, violência psicológica e perseguição. O pedido foi protocolado nesta quarta-feira (18) e ainda aguarda decisão da Justiça.

Segundo informações do site MidiaNews, a solicitação tem como base um requerimento da Polícia Civil, após a sindicalista Carmen Machado, presidente da Federação dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP/MT), registrar boletim de ocorrência contra o dirigente.

De acordo com o registro, a vítima acusa Antônio Wagner de utilizar grupos de WhatsApp e outros canais para difamá-la, constrangê-la e intimidá-la. As mensagens incluem questionamentos sobre sua legitimidade como representante sindical e expressões como “você não tem legitimidade para representar os servidores públicos”, “acomodada, perdedora” e “você está na federação como um prêmio de consolação”.

Para o Ministério Público, as condutas atribuídas ao sindicalista configuram violência psicológica e têm caráter deliberado de constrangimento. “Não apenas expõe e difama a vítima em redes sociais e grupos de WhatsApp, mas o faz com propósito deliberado de constrangimento, retaliação e dominação simbólica, comportamento que reproduz dinâmicas de violência baseada em gênero, caracterizando verdadeira violência institucional e psicológica”, diz trecho do pedido.

O órgão também aponta que o conteúdo das mensagens indica desqualificação da vítima enquanto mulher em posição de liderança. “A natureza das mensagens revela um discurso de desqualificação e inferiorização da mulher em posição de liderança, evidenciando uma motivação misógina”, consta no documento.

Ainda segundo o MPE, o investigado se aproveita da visibilidade e do cargo que ocupa para atingir a vítima, que é idosa. Carmen relatou que tem feito uso de medicamentos após sofrer abalo emocional, com episódios de insônia, ansiedade e dificuldade de concentração.

No pedido encaminhado pela Polícia Civil, a delegada Judá Maali destacou que o sindicalista já responde a outro inquérito por fatos semelhantes, o que indicaria reiteração das condutas.

“Trata-se de indivíduo com antecedentes por fatos semelhantes, o que denota reiteração criminosa e desprezo pelas determinações legais e judiciais. A conduta atual é contínua e estratégica, com clara intenção de silenciar, intimidar e desmoralizar mulheres, especialmente aquelas que ocupam espaços de poder”, aponta o documento.

O Ministério Público também sustenta que a liberdade do investigado representa risco à vítima e à ordem pública. “Sua liberdade representa ameaça concreta à tranquilidade e segurança psicológica da vítima, além de risco à ordem pública, pois suas ações repercutem amplamente em redes sociais e grupos sindicais”, conclui.

O pedido segue em análise pela Justiça.

Fonte: Info Verus