Enquanto é investigada por aplicar golpes financeiros usando o nome do filho, ela rompeu o silêncio e fez acusações graves contra o próprio prefeito.
A investigação que envolve a família do prefeito de Nossa Senhora do Livramento ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (28). Alvo da Operação Vínculo Quebrado, Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 53 anos, mãe do prefeito Thiago Gonçalo Lunguinho (União Brasil), ainda não havia comparecido à Central de Monitoramento para instalar a tornozeleira eletrônica determinada pela Justiça. Enquanto é investigada por aplicar golpes financeiros usando o nome do filho, ela rompeu o silêncio e fez acusações graves contra o próprio prefeito.
Segundo a Polícia Civil, Adriana teria utilizado a condição de mãe do chefe do Executivo municipal para atrair vítimas em Cuiabá e Várzea Grande, prometendo investimentos em supostas empresas ligadas a contratos e licitações públicas. O prejuízo apurado até o momento ultrapassa R$ 913 mil.
As medidas cautelares foram determinadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e cumpridas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande (DEEVG). Entre as ordens estão: uso de tornozeleira eletrônica, apreensão de passaporte, proibição de apostas on-line, bloqueio de bens até R$ 1 milhão, recolhimento domiciliar noturno e proibição de contato com as vítimas.
Apesar de ser alvo da operação, Adriana afirma que está sendo perseguida, ameaçada e agredida pelo próprio filho — que foi quem denunciou o caso à polícia. Em entrevista ao programa SBT Comunidade, ela declarou que sua vida “acabou” após a exposição do escândalo.
“Decidi quebrar o silêncio porque estou sendo perseguida pelo meu filho. Isso não é por causa de jogo nem de dívida. Ele me ligava para me ofender, me humilhar, me ameaçar”, afirmou.
Ela disse ainda que registrou boletins de ocorrência e entrou com ação contra o prefeito na Delegacia da Mulher. Segundo o relato, mesmo com medida protetiva, continuou sofrendo intimidações.
“Ele manda pessoas atrás de mim. Queria me internar compulsoriamente para preservar a imagem política dele. Disse que ia me enterrar”, declarou.
Em outro momento da entrevista, Adriana acusou o filho de agressão física. “Ele veio me bater. Eu fui várias vezes à delegacia e não consegui fazer ele parar”, disse, acrescentando que teme pela própria segurança.
Enquanto isso, a Polícia Civil reforça que a investigada foi indiciada por oito crimes de estelionato e um de falsa identidade. De acordo com o delegado André Luiz Prado Monteiro da Silva, Adriana tem prazo de 48 horas para instalar a tornozeleira eletrônica. O descumprimento pode resultar em prisão preventiva.
“Nosso objetivo é evitar fuga e garantir o ressarcimento das vítimas. O prejuízo confirmado pelas oito pessoas que formalizaram denúncia gira em torno de 913 mil reais”, explicou o delegado.
A polícia também alerta que pessoas que emprestaram dinheiro à investigada com cobrança de juros abusivos podem responder por crimes contra a economia popular.
Fonte: Info Verus




